
O Museu Colecção Berardo apresenta “Tudo o que é sólido
dissolve-se no ar: o social na Colecção Berardo”, um novo percurso pela Colecção
Berardo. Comissariada por Miguel Amado, esta exposição reúne cerca de 75 obras de
artistas representados no acervo ou convidados para o efeito que exploram problemáticas
do quotidiano e, assim, enunciam uma crítica do real. A exposição inspira-se numa
passagem do Manifesto do Partido Comunista, redigido por Karl Marx e Friedrich Engels
em 1848, para equacionar o recente renascimento do primado do social na arte. De
acordo com estes pensadores, “Tudo o que é sólido dissolve-se no ar”, expressão que
congrega um sentido de mudança na sociedade, processo que implica a substituição de
uma ordem simbólica por outra. Assim, a “estética da recessão” gerada pela presente
crise financeira global, mas que uma década marcada pela “condição precária” já
prenunciara, chamou a atenção para as práticas socialmente comprometidas da arte
moderna e contemporânea, o foco desta exposição.
Dos artistas representados na Colecção Berardo, salientam-se Aleksander Rodchenko,
Kurt Schwitters e Marcel Duchamp, expoentes das vanguardas modernistas do princípio
do século XX; Dan Flavin, Mimmo Rotella e Nam June Paik, cujo trabalho marcou o
período pós-II Guerra Mundial; Jenny Holzer, Jean-Michel Basquiat e Jörg Immendorf,
nomes importantes da década de 1980; Justine Triet, Malgorzata Markiewicz, Manuel
Ocampo, Narda Alvarado, Vivan Sundaram e Wang Guangyl, criadores emergentes da
presente década. As obras destes artistas dialogam com as de outros, convidados para o
efeito, dos quais se destacam Ana Maria Tavares, Carolina Caycedo, Kiluanji Kia Henda,
Ivan Grubanov, Regina José Galindo e Yevgeniy Fiks. Note-se, ainda, a presença de
vários artistas portugueses, entre os quais Ângela Ferreira, Carla Cruz, Joana
Vasconcelos, João Louro, Rigo 23 e o colectivo Sparring Partners. Finalmente, refira-se a
apresentação de obras de, entre outros, Alfredo Jaar, Deimantas Narkeviãius, Johan
Grimonprez, Paul Chan e Sarah Morris no âmbito de um programa semanal de vídeo
patente em zona específica das galerias.
Curadoria: Miguel Amado